Obama alerta para os "dias difíceis" que se avizinham no Afeganistão

O Presidente americano Barack Obama aproveitou a cimeira da NATO, a decorrer em Chicago, para alertar que o Afeganistão enfrenta "dias difíceis", numa altura em que a Aliança começa a preparar a sua retirada daquele país asiático, prevista para 2014.

Obama declarou que estão à vista "grandes desafios" e que é preciso "reunir recursos".

"Tal como nós nos sacrificámos juntos com vista à nossa segurança comum, permaneceremos juntos na nossa determinação para completar esta missão", disse Obama durante a cimeira que decorre em Chicago e na qual estão presentes mais de 50 líderes mundiais.

A cimeira decorre sob fortes medidas de segurança e à porta do encontro houve confrontos entre a polícia e centenas de manifestantes.

Por seu lado, o secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, disse neste domingo que não haverá pressas: "Não haverá uma corrida para a porta de saída. O nosso objectivo, a nossa estratégia, o nosso plano permanece inalterado".

"Estamos agora no processo de transferirmos gradualmente a responsabilidade da segurança no país para os afegãos e esse processo ficará completo até ao final de 2014 e, durante esse tempo, veremos a retirada das tropas e uma mudança do combate para o apoio", disse Rasmussen, citado pela BBC.

Em sentido contrário, o novo Presidente francês, François Hollande, repetiu claramente na cimeira – tal como já havia indicado durante a sua campanha eleitoral – que a França irá retirar as suas tropas ainda em 2012, dois anos antes do previsto.

Tal como Hollande, diversos líderes mundiais estão sob pressão para retirarem as tropas do país antes de 2014, especialmente numa altura de crise e austeridade como a que vivemos actualmente.

Por seu lado, o Presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, fez saber durante a cimeira que o seu país está consciente das dificuldades mas que está preparado para assumir as responsabilidades associadas à transferência de segurança para as forças nacionais.

Alguns países da NATO – incluindo EUA, Austrália, Reino Unido e Alemanha – já asseguraram a Karzai que irão continuar a ajudar o país a lidar com a rebelião taliban.

De acordo com a BBC, esta cimeira da NATO está a servir para tentar reconciliar posições divergentes: por um lado os países da Aliança estão a ouvir que as suas missões no Afeganistão estão a chegar ao fim e, por outro, estão a ouvir que aos afegãos está a ser dito que a luta vai continuar a ser apoiada para lá de 2014.

Nesta segunda-feira deverá ser discutido quanto mais dinheiro será necessário – e quem fará esse esforço – para estabilizar a situação no Afeganistão.

É esperado que os EUA – o grande impulsionador da entrada no país, após os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2011 – paguem metade da soma anual necessária até 2014: quatro mil milhões de dólares (3180 milhões de euros).

O Presidente Karzai aproveitou ainda a ocasião para agradecer aos americanos a ajuda financeira que têm dado ao país, afirmando estar desejoso pelo dia em que o Afeganistão deixe de ser um "fardo" para a comunidade internacional.

Mais de dez anos após a entrada da coligação internacional no país, a violência continua de rédea solta no Afeganistão. De acordo com dados da ONU, o número de mortes em 2011 ultrapassou as 3000, a maioria das quais causada por militantes taliban. Só este sábado um bombista suicida matou pelo menos dez pessoas na província de Khost.

In: Público

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