Tolentino Mendonça: “A sociedade precisa que percursos como o meu não sejam uma exceção”

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O Cardeal D. José Tolentino de Mendonça deixou, ontem, no Livro de Honra da Assembleia Legislativa da Madeira, uma mensagem de agradecimento que é também de incentivo para que outras pessoas possam também ser distinguidas. Antes do discurso do Ato Solene de atribuição da Medalha de Mérito da Região...

XII Legislatura, I Sessão Legislativa Audiências
Tolentino Mendonça: “A sociedade precisa que percursos como o meu não sejam uma exceção”
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O Cardeal D. José Tolentino de Mendonça deixou, ontem, no Livro de Honra da Assembleia Legislativa da Madeira, uma mensagem de agradecimento que é também de incentivo para que outras pessoas possam também ser distinguidas. Antes do discurso do Ato Solene de atribuição da Medalha de Mérito da Região Autónoma da Madeira já Tolentino Mendonça pedia prioridade para a qualificação do ensino, uma ideia que mais tarde veio a desenvolver perante deputados, governantes e uma plateia de repleta de entidades civis e militares.

Escreveu D. José Tolentino de Mendonça:

“Sinto-me muito pequeno perante o significado desta condecoração que recebo com a humilde consciência de que tantos outros dos nossos concidadãos provavelmente a mereciam mais do que eu, pelos seus feitos e pela sua dedicação à nossa terra. De facto, não esqueço que o verdadeiro heroísmo não está, na maior parte das vezes, nos brilhantes pontos de chegada, mas sim nos pontos de partida de cada história. Tenho uma grande admiração pelo heroísmo anónimo: o heroísmo das vidas simples; das vidas amarradas a sofrimentos incalculáveis e que mesmo assim não desistem; o heroísmo dos que dedicam a sua existência a cuidar dos outros; dos que, não podendo mudar o mundo, não deixam, porém, de fazer a sua parte. Além disso, nesta hora, não posso esquecer que cada um de nós é uma obra dos outros e é fruto de uma longa e polifónica genealogia. Lembro-me, por exemplo, de estar num miradouro do Ribeiro Frio a olhar a incrível paisagem que dali se avista ou estar debruçado no cais de Machico a olhar o mar e dar comigo a pensar na secular cadeia de olhares de que, naquele momento, eu era herdeiro. Uma das coisas que peço a Deus é que me ajude a estar à altura daquilo que recebi e que recebo, que sinto que é sempre superior àquilo que dou. É nessa medida que, quando penso na Madeira que amo tanto, sei que a dívida de gratidão está sobretudo do meu lado. E esta condecoração só reforça esta evidência.

É uma grande honra estar na Casa da Democracia, diante dos representantes de todos os cidadãos. Gostaria de aproveitar a oportunidade, que generosamente me concedem, para pedir que se acarinhe e priorize a causa de educação. Que seja assumido como um desígnio comum tudo o que se puder fazer para qualificar o ensino, reforçando as potencialidades das nossas escolas e fortalecendo as instituições de cultura e o seu papel. Que as novas gerações aqui nascidas possam estar competentemente preparadas para responder aos exigentes desafios da época em que vão viver. Quando olho para a minha história pessoal sei que não seria a mesma pessoa sem os professores que tive, sem as oportunidades formativas, sem os livros que li, sem as experiências de estudo no estrangeiro, sem a cultura que em mim se sedimentou no tempo. A sociedade precisa que percursos como o meu, traduzidos nos mais diversos âmbitos, não sejam uma exceção, mas um possível que se concretiza muitas vezes.

Obrigado de coração”.

 

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