Assembleia Legislativa da Madeira corta nas despesas de funcionamento para acudir à ‘emergência alimentar’

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O Parlamento madeirense decidiu cortar nas despesas de funcionamento e suspender as conferências para fazer face à emergência social e ajudar as pessoas que mais precisam. Este apoio vai chegar através do Banco Alimentar Contra a Fome (BA) e do CASA – Centro de Apoio aos sem Abrigo, que acodem a...

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Assembleia Legislativa da Madeira corta nas despesas de funcionamento para acudir à ‘emergência alimentar’
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O Parlamento madeirense decidiu cortar nas despesas de funcionamento e suspender as conferências para fazer face à emergência social e ajudar as pessoas que mais precisam. Este apoio vai chegar através do Banco Alimentar Contra a Fome (BA) e do CASA – Centro de Apoio aos sem Abrigo, que acodem a mais de 7 mil pessoas. A prioridade do parlamento madeirense vai para as instituições não contempladas pelo Fundo de Emergência para Apoio Social, criado pelo Governo Regional, evitando assim a duplicação de auxílios financeiros.

O Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira está preocupado com o aumento dos pedidos de ajuda das famílias, devido à paragem da economia forçada pela pandemia do Covid-19 e por isso diz que neste momento “todas as nossas atenções vão estar centradas nos casos mais urgentes que é preciso acudir”. Afirma que “temos de proteger os grupos mais vulneráveis, garantindo uma sociedade mais solidária e coesa para o futuro, pois o novo coronavírus vai ter impacto económico e social significativo nos próximos anos.” José Manuel Rodrigues diz “tratar-se de uma competência de quem governa, mas também de uma solidariedade que deve ser prestada por todos, e por isso apela aos madeirenses, que possam, que olhem por quem lhes está próximo”.

O Presidente do principal órgão de governo próprio da Madeira e o seu gabinete têm reunido, auscultado e analisado as necessidades sociais que existem em todos os concelhos da Madeira, através dos relatos e das experiências das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) que prestam um relevante serviço não só à Região como também ao país. Na passada quarta-feira foram ouvidos os presidentes do Banco Alimentar Contra a Fome na Madeira, Fátima Aveiro, e da Cáritas Diocesana do Funchal, Duarte Pacheco.

Numa semana de intensos contactos constatou-se que o número de pedidos de ajuda das famílias aumentou a partir de meados de março, uma realidade que é comum a todas as instituições. A paragem da atividade económica, o recurso ao lay-off, por parte de algumas empresas, e o desemprego são as principais causas desta subida do número de pedidos de apoio por parte das famílias que residem no arquipélago da Madeira.

Já na próxima terça-feira, dia 14 de abril, José Manuel Rodrigues, reúne com a Presidente do CASA, Centro de Apoio ao Sem Abrigo, que confirma estarem a chegar cada vez mais pedidos de ajuda de pessoas que vivem na rua e de famílias carenciadas, que também recebem cabazes nos concelhos do Funchal e de Santa Cruz. Devido à pandemia foram canceladas as campanhas de recolha de alimentos do CASA, que deviam ter acontecido nos dias 28 e 29 de março, nos supermercados Pingo Doce. Por isso Sílvia Ferreira alerta para “uma grande falta de produtos alimentares, para acudir às cerca de 600 famílias que ajudam, ou seja, mais de mil pessoas”. Há falta de produtos secos, como massas, arroz e bolachas, de enlatados, de azeite, de óleo alimentar e de uma variedade de produtos necessários à confeção de refeições e dos cabazes. As refeições do CASA são feitas com o apoio do Lar da Bela vista, donde todos os dias saem 150 jantares para os sem abrigo que estão no Pavilhão dos Trabalhadores e para os que ainda permanecem na rua. Por causa da pandemia, todas as refeições estão a ser distribuídas em material descartável, o que traz um custo acrescido em embalagens, talheres e guardanapos.

Uma realidade idêntica vive o Banco Alimentar Contra a Fome. Com a campanha de recolha de bens alimentares cancelada, prevista para o mês de maio, Fátima Aveiro diz que “a situação já é muito grave”. Entre 20 de março e 08 de abril deste ano, o BA recebeu o registo de 6 novos pedidos de IPSS de apoio alimentar, um pedido de uma autarquia e 42 solicitações de ajuda por parte de pessoas.

Além disso o BA já se prepara para acudir a novos cenários, como o número de pessoas que eram apoiadas pelas IPSS que encerraram; as pessoas que não têm capacidade financeira para comprar os produtos de que necessitam, aquelas cuja única refeição era a refeição que consumiam na creche, infantário ou centro de dia; as pessoas que dependem do cabaz de alimentos que recebem semanal ou mensalmente e as pessoas em situação de desemprego por força do COVID, de baixa por assistência à família com a redução de rendimento inerente, que viviam muitas vezes já em grande fragilidade financeira.

É para satisfazer as necessidades imediatas das instituições que a Assembleia Legislativa da Madeira se prepara para transferir um apoio financeiro de 7.500 euros para estas duas instituições (5.000 para o BA e 2.500 para o CASA), donativos feitos em articulação com a Secretaria Regional da Inclusão Social e Cidadania.

Devido à pandemia e ao estado de emergência o parlamento “aperta” no orçamento para ajudar o setor social, cancelando despesas com obras, com equipamento informático e outras rubricas para libertar verbas de forma a apoiar as IPSS que ajudam milhares de famílias. Depois das visitas às instituições particulares de solidariedade do social (IPSS), o projeto “Parlamento Mais Perto Social”, cujas visitas às instituições encontram-se suspensas, está a auscultar as IPPS que prestam ajuda alimentar de modo a ir ao encontro das suas principais carências, quer elas sejam de donativos ou de recursos técnicos ou humanos.

 

Foto: Banco Alimentar Contra a Fome

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