Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira lembra a escritora Luzia como uma mulher invulgar e à frente do seu tempo

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Uma “mulher invulgar, à frente do seu tempo”. Foi desta forma que o Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira se referiu a Luzia, pseudónimo de Luísa Susana Lomelino Grande, autora da obra “Almas e Terras por Onde Eu Passei”, apresentada esta sexta-feira, no Salão Nobre do Parlamento regional....

XII Legislatura, III Sessão Legislativa PresidenteConferênciaPresidente
Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira lembra a escritora Luzia como uma mulher invulgar e à frente do seu tempo
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Uma “mulher invulgar, à frente do seu tempo”. Foi desta forma que o Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira se referiu a Luzia, pseudónimo de Luísa Susana Lomelino Grande, autora da obra “Almas e Terras por Onde Eu Passei”, apresentada esta sexta-feira, no Salão Nobre do Parlamento regional. José Manuel Rodrigues felicitou as coordenadores do projeto, Ana Cristina Trindade, Presidente da Comissão Científica da ADEGI - Associação de Desenvolvimento dos Estudos Globais e Insulares, e Luísa Antunes Paolinelli, docente na Universidade da Madeira e antiga deputada à Assembleia Legislativa da Madeira, por, através desta edição, lembrarem “esta mulher invulgar e à frente do seu tempo, que, de alguma forma, na sua escrita, fazia a catarse do isolamento da ilha e do isolamento político e social a que homens e mulheres estavam sujeitos”. O líder do primeiro órgão de Governo próprio da Região voltou a vincar o quão importante é, para a Madeira, “fixar memórias para reforçar a nossa identidade cultural, pois esta é, afinal, o substrato da nossa Autonomia”. Regozijando-se por acolher a iniciativa, recordou, ainda, que o Parlamento é “uma casa da Autonomia e também uma casa da cultura”, razão pela qual as suas portas estarão “sempre abertas” a iniciativas como esta, que primem pela afirmação da Autonomia e a elevação da cultura e da identidade madeirense.

A apresentação de “Almas e Terras por Onde Eu Passei” esteve a cargo do historiador e investigador Paulo Miguel Rodrigues, que descreveu a obra, originalmente publicada em 1936, como “uma longa viagem, na multiplicidade dos seus sentidos”, escrita por “uma autora sentida, sensível, e que, por isso mesmo, também sofre”. A este propósito, frisou, “foi a escrita que a salvou, que a trouxe para o cimo do poço”. Lamentando o esquecimento a que a autora foi votada após a sua morte, em 1945, aos 70 anos, exaltou a obra de Luzia como uma constante “procura da identidade” e como “um contributo para o conceito de ‘madeirensidade’”, mesmo não sendo Luzia natural da Madeira.

“Tendo presente aquilo que de mais profundo representa a Assembleia Legislativa da Madeira, sobretudo neste dia 28 de janeiro, em que se assinalam 201 anos sobre a proclamação da adesão da Madeira ao Liberalismo e ao Parlamentarismo, em 1821, é essencial destacar que compete a todos lutar para garantir a perenidade de uma mensagem que assente na ideia irredutível de liberdade. Uma liberdade que é de todos e não pode ser apenas de alguns.”, concluiu.

A reedição de “Almas e Terras por Onde Eu Passei”, com organização, notas e introdução de Cristina Trindade e Luísa Paolinelli, tem a chancela da Edições Esgotadas, sendo o terceiro volume da Coleção Bússola. O prefácio é assinado por Violante Saramago Matos e as pinturas de capa são da autoria do artista Marcos Milewski.

Luzia, pseudónimo de Luísa Susana Lomelino Grande, nasceu em Portalegre, em 1875, e viveu grande parte da sua vida na Madeira, onde faleceu. Considerada a “Eça de Queiroz de saias”, de espírito observador e mordaz, legou-nos diversas obras críticas da sociedade, tendo, no seu tempo, recebido o aplauso da crítica e dos seus pares. Pertencente ao círculo dos escritores da época, Luzia sempre esteve a par das mais modernas soluções literárias da grande literatura portuguesa e europeia, escolhendo um caminho de inovação e de repensamento das tradições artísticas.

“Almas e Terras por Onde Eu Passei” constitui uma boa demonstração da escrita de tipo memorialístico de Luísa Grande, oferecendo ao leitor quadros vivos da sua vida cosmopolita, que encontrava em Portalegre e na Madeira os lugares de reencontro com a infância, a beleza e a felicidade. Injustamente esquecida, Luzia é essencial não só para a justa compreensão da literatura feminina do início do século, mas também para a história da Madeira.

Apresentação do livro Almas e Terras por Onde Eu Passei de Luzia (áudio)
Luísa Paolinelli, Professora Universitária (áudio)
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