Envelhecimento e desertificação populacional dão mote a romance de Luz Marina Kratt

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O livro “Já Para Casa” surgiu durante a pandemia, “quando o mundo inteiro foi obrigado a parar”, começou por referir a autora, para explicar que a obra retrata a aldeia de Água Formosa, uma das localidades mais envelhecidas da Europa, que conta mais de nove séculos de existência, remontando à...

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Envelhecimento e desertificação populacional dão mote a romance de Luz Marina Kratt
Ex-jornalista da RTP Madeira lança segundo romance que reflete uma das grandes características da sociedade moderna.
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O livro “Já Para Casa” surgiu durante a pandemia, “quando o mundo inteiro foi obrigado a parar”, começou por referir a autora, para explicar que a obra retrata a aldeia de Água Formosa, uma das localidades mais envelhecidas da Europa, que conta mais de nove séculos de existência, remontando à fundação de Portugal.

“Ninguém quer ser o último a morrer em Água Formosa. Já foram mais de duzentos. Agora são apenas nove. Duros como a pedra, que lhes moldou o feitio e marcou o destino, os velhos resistem, teimosos, onde criaram uma vida, com séculos de tradição e de história. Esta aldeia remota, com casinhas de brincar e flores nas janelas, jardins e bosques encantados, com ribeiras de águas tranquilas, recusa-se a desaparecer, como tantas outras no Portugal mais profundo”, pode ler-se na sinopse.

“Já para Casa é uma história escrita por um punhado de gente, que fez do isolamento uma mais-valia e da originalidade e genuinidade um nicho no mercado turístico, cravando no xisto, o seu selo de garantia. Ao abrir-se ao mundo do lado de fora, Água Formosa, revitaliza-se e planta orgulhosa, uma bandeira na rota das Aldeias do Xisto. E aos poucos regressam os filhos da terra. Andavam pelo mundo, que os aceitou desinteressado, os esgotou até à alma e lhes amarfanhou a identidade e baralhou a memória”.

Com este livro Luz Marina Kratt desafia os leitores a acreditarem que “é possível construir o futuro mesmo à porta de casa”.  Reforça a escritora que “nesta aldeia de contos de fadas, eles criam, à força de querer acreditar, uma aldeia de verdade, com gente feliz a viver lá dentro”, podendo ser uma fonte de inspiração para “inventar ou reinventar a vida”.

 

Envelhecimento populacional: um problema sentido também na costa norte da Madeira

O Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira disse “ser um gosto” lançar este livro na “casa da democracia”. “Não sendo sobre a realidade madeirense fala de muitas realidades com que diariamente somos confrontados nas nossas ilhas”, frisou José Manuel Rodrigues. “Fala de partidas e de chegadas, de abandonos e de regressos, fala de raízes e fala da terra”, vincou.

O Presidente do Parlamento madeirense destacou a “sensibilidade social” da escritora, que também tem um “percurso de vida marcado pela emigração”, para falar sobre “dois grandes problemas da nossa sociedade: o envelhecimento da população, com consequências positivas e negativas, e a desertificação populacional, sobretudo das zonas interiores do país, mas também da costa norte da Madeira”.

A obra foi apresentada, ainda, pelas jornalistas da RTP Madeira, Maria Luísa e Tânia Spínola, que relevaram passagens do livro, abrindo o “apetite” para novas leituras e interpretações.

 

Sobre a escritora

Jornalista da RTP Madeira durante muitos anos, Luz Marina Kratt tem um percurso marcado pela emigração. Depois da Austrália e de Inglaterra, países onde estudou e trabalhou, deixou-se ficar pelas margens do lago Constança, no sul da Alemanha.

Ali restaurou um antigo museu de bonecas, que transformou num hotel, onde vive rodeada de antiguidades, livros e gente de nacionalidades e culturas dispersas.

É na escrita que traça o caminho de regresso a Madeira, a ilha onde nasceu.

Já para Casa é o novo romance da autora que recentemente publicou uma coletânea sobre as Mulheres da Diáspora.

“O Cheiro da Anoneira” foi a primeira obra lançada por Luz Marina Kratt, sob a chancela da Oxalá Editora.

Apresentação do livro Já Para Casa (áudio)
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