Arquiteto Pedro Gonçalves defende a criação do roteiro da arquitetura moderna e a classificação do património edificado

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O fundador e vice-presidente da Genus, Associação de Defesa do Património da Madeira, Pedro Gonçalves, chamou, hoje, a atenção para a necessidade de “classificar e proteger o património edificado, a começar pela arquitetura popular madeirense. O jovem arquiteto, natural de Câmara de Lobos, foi...

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Arquiteto Pedro Gonçalves defende a criação do roteiro da arquitetura moderna e a classificação do património edificado
Pedro Gonçalves foi o arquiteto distinguido no primeiro programa “Madeira Novos Talentos + Futuro”, promovido pelo jornal JM-Madeira, com o apoio da Assembleia Legislativa da Madeira.
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O fundador e vice-presidente da Genus, Associação de Defesa do Património da Madeira, Pedro Gonçalves, chamou, hoje, a atenção para a necessidade de “classificar e proteger o património edificado, a começar pela arquitetura popular madeirense. O jovem arquiteto, natural de Câmara de Lobos, foi distinguido no primeiro programa “Madeira Novos Talentos + Futuro”, que pretende dar a conhecer jovens madeirenses e porto-santenses que se destaquem nas diferentes áreas de atuação profissional e académica.

Na entrevista conduzida pelo Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, a partir do Museu de Imprensa, em Câmara de Lobos, Pedro Gonçalves defendeu a preservação da arquitetura moderna, que surgiu entre os anos 40 e 80, do século XX. A Genus “já mapeou 223 edifícios de arquitetura moderna na Madeira e no Porto Santo”, começou por explicar. São edifícios projetados por grandes arquitetos do continente português, como Chorão Ramalho e Raul Lino, e regionais, como Luís da Conceição Teixeira, “que projetou o mercado de Santa Cruz, um edifício com claros traços de arquitetura moderna do Brasil”, Rui Vaz Ferreira, Marcelo Costa e Adolfo Brazão Vieira”. Neste trabalho de inventariação foram identificados cerca de 40 autores de projetos de arquitetura moderna. Por isso, é ideia dos dirigentes da Genus “criar um roteiro de arquitetura moderna”, de modo a dar a conhecer “o outro lado da Madeira, que não apenas as paisagens”.

Pedro Gonçalves apela, ainda, à classificação do património edificado. “Não consigo entender como é que não estão classificados os edifícios Navio Azul, Casino e Lido Sol”, apontou em tom de lamento.

O jovem arquiteto entende que devia ser obrigatória a proteção das quintas madeirenses. “Devíamos perceber que aqueles edifícios que foram uma primeira forma de turismo da Madeira deveriam ser a aposta de futuro do turismo regional”, através da sua reabilitação.

Durante a entrevista de quase uma hora, Pedro Gonçalves teve a oportunidade de apelar à descentralização dos serviços públicos e de pedir incentivos à fixação das empresas a norte da ilha da Madeira, como formas de travar o despovoamento nos concelhos de Santana, São Vicente e Porto Moniz. “Na Madeira apostamos muito no turismo, o que não tem de ser. A agricultura, os nómadas digitais, são alternativas para o norte”, recomendou.

Entende também que as zonas altas do Funchal e de outros concelhos da Região “carecem de uma estratégia geral de reabilitação urbana”, que contemple a legalização de habitações e outras formas de mobilidade urbana. Nestas zonas não existem passeios, faltam estacionamentos, escasseiam espaços para os contentores de lixo, daí que defenda novos planos de ordenamento do território, onde o transporte público seja a solução para os problemas do trânsito e de circulação nestas zonas.

“A legalização das casas é um problema complexo. As casas podem e devem continuar a ser legalizadas, como é o caso do Funchal, desde que não se encontrem em situações de risco. Têm de cumprir com o regulamento geral das habitações”, disse.

O arquiteto Pedro Gonçalves entende que devem ser criados prazos para a legalização das habitações, evitando o prolongar de datas. Para as pessoas com fracos recursos recomenda a criação de um gabinete de apoio à legalização, de modo a acelerar a regularização das habitações.

Sobre a falta de habitação, considera que o problema pode ser resolvido com a ajuda das autarquias e com a criação de incentivos à fixação de empregos, em outras zonas da Madeira para além do eixo Ribeira Brava – Machico.

Pedro Gonçalves sugere, também, a criação de uma reserva agrícola regional, como forma de fixar a população e criar emprego a norte, protegendo “a paisagem humanizada, porque ela faz parte da nossa identidade”, frisou.

A série de programas “Madeira Novos Talentos + Futuro” pretende “prestar um tributo a quem com o seu trabalho consegue destacar-se nas suas áreas de atuação e profissões”, explicou o Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira. Constitui também estímulo para que outros jovens possam “seguir o exemplo dos nossos melhores”, aclarou José Manuel Rodrigues.

Madeira Novos Talentos + Futuro com Pedro Gonçalves (áudio)
Madeira Novos Talentos + Futuro com Pedro Gonçalves (vídeo)
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