O Parlamento na Comunidade este hoje em Machico, concelho onde pela primeira vez se pisou solo na nossa Região.
Com casa cheia, com uma plateia repleta e altamente participava, a iniciativa demonstrou que a Autonomia é uma construção viva, que conta com o contributo de vários quadrantes, de várias faixas etárias, numa pluralidade própria também do Parlamento Madeirense.
Nesta sessão, a Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, Rubina Leal, sublinhou que o projeto “Parlamento na Comunidade” representa “uma afirmação clara de um princípio essencial da vida democrática”: a política só cumpre plenamente a sua função quando “se aproxima das pessoas, quando escuta, quando dialoga”. Citando D. Tolentino Mendonça — para quem “a cultura é o alargamento da consciência” — destacou uma visão de sociedade assente no equilíbrio entre “enraizamento e universalidade”, capaz de valorizar a identidade regional sem perder abertura ao mundo.
A intervenção reforçou que a Autonomia tem sido “o maior instrumento de transformação da Madeira”, permitindo afirmar uma identidade política própria e decidir “sobre o nosso próprio destino”. No entanto, alertou que não se trata de um processo concluído, mas de “uma construção dinâmica”, que exige vigilância, maturidade institucional e capacidade de adaptação aos desafios atuais.
Neste contexto, destacou-se com particular ênfase o subsídio social de mobilidade como uma questão central, que “toca o cerne da nossa condição insular”. Mais do que um apoio, trata-se de um “pressuposto de cidadania plena”, essencial para garantir igualdade de oportunidades, coesão territorial e desenvolvimento económico na Região.
Por fim, foi deixada uma mensagem clara: “a vontade dos madeirenses” — expressa pelos deputados da Assembleia Legislativa da Madeira — deve ser respeitada e considerada. Ignorar essa posição seria “esvaziar o próprio sentido da Autonomia”. Como foi afirmado, “não podemos aceitar” que decisões com impacto direto na vida dos cidadãos sejam tomadas sem integrar o contributo dos seus legítimos representantes, numa matéria que é, acima de tudo, “institucional e democrática”.