A Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, Rubina Leal, defendeu que a Macaronésia deve deixar de ser apenas uma geografia partilhada para se afirmar como uma força atlântica, com os arquipélagos unidos pelo oceano, juntos na defesa dos seus interesses e com uma só voz no mundo. Esta mensagem marcou a sua intervenção na cerimónia de encerramento do IX Encontro Internacional de Poesia da Macaronésia – EIPOEMA, realizada na ilha do Porto Santo.
Rubina Leal sublinhou que o Atlântico une estes territórios e que a Macaronésia lhes dá força, destacando o papel da cultura e da literatura no aprofundamento dos laços entre a Madeira, os Açores, as Canárias e Cabo Verde. Neste contexto, valorizou o encontro como um espaço de aproximação entre povos, de partilha de conhecimento e de afirmação de uma identidade atlântica que respeita a singularidade de cada arquipélago.
A Presidente do Parlamento madeirense salientou ainda que a condição insular, marcada pela relação entre a terra e o mar, pela distância e pela descoberta, constitui uma fonte de inspiração literária, permitindo transformar experiências particulares em expressões universais. Evocando o contributo de figuras como Herberto Helder e o Cardeal D. José Tolentino Mendonça, afirmou a Madeira como um território de criação, pensamento e difusão cultural, cuja dimensão geográfica nunca limitou a sua capacidade de afirmação no mundo.
Na sua intervenção, dedicou uma referência especial ao poeta João Carlos Abreu, curador internacional do encontro, destacando o seu percurso de dedicação à cultura madeirense e o contributo para a aproximação da Madeira ao mundo através da arte e da literatura. Recordou também a recente distinção do poeta com o Prémio Emanuel Rodrigues, atribuído pela Assembleia Legislativa, e evocou a sua obra como expressão da coragem, da memória e da capacidade de reinvenção do povo madeirense.
Num ano marcado pelas comemorações dos 50 anos da Autonomia Político-Administrativa da Madeira, Rubina Leal estabeleceu uma ligação entre a autonomia, a cultura e a liberdade de criação, defendendo que esta conquista representa também a capacidade de um povo afirmar a sua identidade, escolher o seu caminho e encontrar a sua própria voz. A Presidente destacou o simbolismo da escolha do Porto Santo para o encerramento do encontro e felicitou a organização e os participantes por uma iniciativa que projeta a cultura madeirense além-fronteiras e reforça o diálogo e a união entre os arquipélagos da Macaronésia.