A Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, Rubina Leal, defendeu hoje a importância de preservar a criatividade, o pensamento crítico e a capacidade de inovação humana perante o crescente desenvolvimento da inteligência artificial, durante a Mesclarte – Cimeira Atlântica das Indústrias Criativas 2026, que decorreu no Salão Nobre do Parlamento Madeirense.
Numa intervenção marcada pela reflexão sobre a relação entre tecnologia e criatividade, Rubina Leal surpreendeu os participantes ao iniciar o seu discurso com um texto integralmente produzido por inteligência artificial, demonstrando como esta tecnologia é capaz de reproduzir uma intervenção institucional, mas não de substituir a essência, a emoção e a singularidade do pensamento humano.
A Presidente reconheceu o enorme potencial da inteligência artificial enquanto ferramenta de apoio ao trabalho, à investigação e à inovação, alertando, contudo, para os riscos de uma utilização que comprometa a autonomia do pensamento e a originalidade. «A tecnologia deve ampliar as nossas capacidades, não substituir a nossa imaginação», afirmou, defendendo que a criatividade exige liberdade, espírito crítico e coragem para questionar o que já existe.
Sob o tema «Madeira – The World Meets Here To Create», a edição deste ano da Mesclarte procurou afirmar a Região como um espaço de encontro entre diferentes culturas, talentos e ideias, promovendo o diálogo e a colaboração no setor das indústrias criativas.
Rubina Leal destacou o contributo da iniciativa para a projeção internacional da Madeira, considerando que as indústrias criativas representam uma importante oportunidade de desenvolvimento económico, valorização cultural e afirmação da identidade regional. Sublinhou, igualmente, que a dimensão insular não constitui um obstáculo à capacidade de conceber e concretizar projetos inovadores com reconhecimento além-fronteiras.
Neste contexto, recordou que a Assembleia Legislativa atribuiu o seu Alto Patrocínio à Mesclarte, reafirmando o compromisso institucional com a valorização da cultura, da inovação e do talento regional. Felicitou ainda a Associação das Indústrias Criativas, na pessoa do seu presidente, Sérgio Nóbrega, bem como Gonçalo Abreu, cofundador do movimento Madeira Criativa, pelo trabalho desenvolvido na dinamização deste setor.
A cimeira ficou também marcada pela distinção de duas personalidades cujos percursos refletem diferentes expressões da criatividade e do empreendedorismo madeirense. O arquiteto Paulo David recebeu o Prémio Mérito e Excelência, pelo reconhecimento alcançado através de uma obra profundamente ligada à paisagem e à identidade da Madeira, enquanto o empresário João Abel de Freitas foi distinguido com o Prémio de Reconhecimento de Carreira, pelo seu percurso empresarial e contributo para a inovação no setor da hotelaria.
A Presidente destacou ainda o trabalho da artista Teresa Brazão, cuja exposição integrou a iniciativa, sublinhando a capacidade da arte para transmitir emoções, despertar reflexões e proporcionar novas formas de interpretar o mundo.
Na conclusão da sua intervenção, Rubina Leal deixou uma reflexão sobre o futuro da criação num mundo cada vez mais marcado pela inteligência artificial, defendendo a necessidade de continuar a formar pessoas capazes de pensar autonomamente, desenvolver ideias próprias e criar soluções originais.
«Se todos começarmos a pensar, a escrever e a criar da mesma maneira, o que acontecerá àquilo que nos torna diferentes?», questionou, reafirmando a importância de preservar a singularidade humana enquanto fundamento da criatividade e da inovação.