A Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, Rubina Leal, enalteceu hoje o percurso de João Carlos Abreu, considerando-o uma personalidade que marcou a história da Região e que deixou à Madeira uma obra feita de ideias, projetos, livros e memórias, mas também uma visão do turismo e da cultura que contribuiu decisivamente para projetar a Região muito para além das suas fronteiras.
Na Cerimónia de Entrega do Prémio Emanuel Rodrigues, que distinguiu João Carlos Abreu na edição de 2026, Rubina Leal destacou uma vida profundamente ligada à Madeira, mas permanentemente aberta ao mundo. Jornalista, escritor, poeta, homem da cultura e do teatro, viajante e colecionador, João Carlos Abreu exerceu também, durante 23 anos, funções como Secretário Regional, numa época de profunda transformação da Madeira, participando ativamente na afirmação do turismo e da cultura enquanto elementos fundamentais do desenvolvimento regional.
Rubina Leal salientou particularmente a visão de João Carlos Abreu para a promoção da Madeira, assente não apenas na divulgação das suas paisagens, mas na valorização da identidade, das tradições, da história e da forma de acolher dos madeirenses. Uma visão pioneira que ajudou a projetar internacionalmente a Região e a afirmar a Madeira como um destino capaz de proporcionar muito mais do que um lugar: uma experiência ligada à sua terra e às suas gentes.
A Presidente recuperou, a propósito, uma expressão utilizada pelo próprio João Carlos Abreu — “universalizar a ilha” — considerando-a particularmente representativa de um percurso dedicado a demonstrar que uma ilha geograficamente pequena pode ser grande naquilo que cria, naquilo que oferece e naquilo que ambiciona. Para Rubina Leal, essa capacidade de abrir a Madeira ao mundo sem perder a sua identidade constitui também uma forma de afirmar a própria Autonomia.
A escolha do júri do Prémio Emanuel Rodrigues, presidido pelo Dr. Brazão de Castro e composto pelo Eng. Vicente Pestana e pelo deputado Carlos Silva, reconhece, assim, um percurso que se cruza com a própria história da Autonomia, conforme referiu o Presidente do Júri na sua intervenção. Instituído pela Assembleia Legislativa da Madeira, o galardão destina-se a distinguir cidadãos que, individual ou coletivamente, tenham desenvolvido trabalhos de relevância para a Autonomia e para a identidade regional, preservando a memória daqueles que contribuíram para construir, consolidar e valorizar a Madeira.
Aos 90 anos, João Carlos Abreu mantém-se, nas palavras da Presidente, “atento, curioso e interventivo”, continuando a acompanhar a vida da Região com a inquietação de quem considera que há ainda muito por fazer. Rubina Leal destacou igualmente a generosidade de um percurso em que muito do que reuniu e conheceu pelo mundo acabou por ser partilhado com a Madeira, nomeadamente através do Universo de Memórias João Carlos Abreu.
No ano em que a Madeira celebra 50 anos de Autonomia, Rubina Leal sublinhou o significado acrescido desta distinção: “O Prémio Emanuel Rodrigues distingue o seu percurso, mas representa também um agradecimento.” E concluiu: “Uma vida longa mede-se pelos anos. Uma vida marcante mede-se pelo que deixa nos outros e na terra a que pertence.”
Nesta cerimónia, João Carlos Abreu ressalvou no seu discurso "a felicidade irrepetível de hoje, nesta Casa da Democracia ao receber este prémio". Numa apaixonada e emocionante alocução, o agraciado referiu também que em todas as circunstâncias da sua vida, colocou sempre os madeirenses no altear dos seus ideias e elevou a Madeira em todos os púlpitos por onde peregrinei.